segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cozinheiro do tempo


Se pudesse viveria esse momento para sempre, e entraria em um êxtase gastronômico temporal ao degustar cada segundo, percebendo como cada parte tem um sabor diferente, e que concomitantemente vai completando o todo, fazendo com que este possua um sabor único e especial.    

Uma noite inebriante

É madrugada e esta é a única coisa da qual eu tenho certeza. Os pensamentos invadem a minha mente sem pedir licença e sem fazer qualquer tipo de cerimônia. Não sei que dia é hoje, não sei em que mês estamos. Talvez tudo isso só faça parte de mais um daqueles sonhos que parecem reais. Algo me incomoda, mas eu não sei o que é. Começo a me revirar na cama tentando achar uma posição confortável para dormir, e mais uma vez rezo para ver se sou atendido e pego no sono de vez... “mais uma vez foi em vão.” É o pensamento que ecoa na minha cabeça. Meus olhos ardem. Levanto e abro a janela do meu quarto. A rua está calma. Vejo alguns mendigos e umas prostitutas acenando para os poucos carros que ainda circulam pela cidade a esta hora. O tempo está quente e úmido. Percebo um clarão no céu. Meus olhos voltam a arder. Fecho a janela, logo vai começar a chover. Dirijo-me a cozinha. Tomo um café, sem me importar que isso provavelmente me manterá acordado por mais algum tempo. Acendo um cigarro. O gosto do café em minha boca se mistura com o amargo do cigarro e eu por alguns segundos fico apreciando esta estranha sensação. Olho no relógio. São 4 horas da manhã, aproveito e olho para o calendário para me localizar no tempo e no espaço. É segunda-feira, ou melhor, terça. Já é de madrugada penso eu. De volta ao meu quarto, confiro meu celular, vejo novamente as horas, percebo que tenho novos e-mails. Meus olhos começam a pesar, e meu corpo fica dolorido. Volto para a cama. Percebo que a chuva está intensa. Durmo por alguns segundos. O relógio desperta. É hora de levantar. Começou mais um dia.

Decepções de uma vida

Ao saber do acontecido, a sua voz esmoreceu, o seu riso se calou, as suas pernas estremeceram e seu coração bateu descompassado. Sentiu o mundo dar uma volta e o chão sob os seus pés desaparecer. “Mas por quê?” Perguntava incessantemente a si mesmo. Ficou por alguns minutos em êxtase tentando digerir aquela noticia. Quando finalmente esboçou alguma reação, gritou alto e em bom tom aos quatro ventos: - “Você não me engana mais!”
Pegou as suas magoas, as guardou bem lá no fundo do seu ser e decidiu seguir em frente.